Cem anos de solidão – Parte 2

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Depois que a gente morre, alguém mora na nossa casa.

Há um tempo atrás, eu li essa frase em algum lugar que eu não me recordo mais onde, nem em que contexto, mas eu sei que isso ficou martelando a minha cabeça desde então.

Foi inevitável fazer um paralelo sobre a morte do meu sogro e do meu pai, pois a estrutura das casas, e sobretudo, a dinâmica entre as pessoas mudou completamente.

Acontenceu nas nossas famílias, aconteceu no livro.

E eu queria começar com essa reflexão para falar da segunda parte da série Cem anos de solidão do livro de Gabriel García Márquez na Netflix.

Vamos lá!

A segunda parte da série

A história avança com os dilemas e dramas dos personagens que nós conhecemos na primeira parte, mas agora, com a entrada de novos membros dessa família, a dinâmica muda radicalmente, tanto que a casa dos Buendia muda fisicamente ao logo da segunda parte.

O destaque nessa nova fase é a evolução dos temas relacionados ao progresso e ao capitalismo.

Como era de se esperar num livo do Gabriel García Márquez, as injustiças, tragédias e preconceitos caminham junto com o amor, e aqui não é diferente, mas sobra espaço, muuuuuuito espaço para o realismo fantástico!

Personagens que sabem o dia de sua morte, outros que quando morrem sobem aos céus, além de chover por quatro anos, onze meses e dois dias!

Nenhuma história me deu o que eu vi sobre Macondo

Mais do que a riqueza dos personagens, os dramas, os amores, o fantástico, o que eu mais gostei em Cem anos de Solidão foi a reflexão que ficou comigo. Tanto que eu terminei a série há mais de 2 semanas e só hoje eu me senti pronto para escrever.

Eu fiquei muito tempo remoendo o sentimento de como nós perdemos tempo com sentimentos que não nos fazem viver de verdade.

E não, eu não estou falando em viver grandes aventuras como José Arcadio e Úrsula que desbravaram a floresta para fundar Macondo.

Não, estou falando em viver quem se é de verdade. Sem esperar a aprovação de ninguém sobre quem você é.

Como Aureliano Segundo que viveu uma vida inteira com Fernanda del Carpio quando na verdade ele amava Petra Cotes, e só no fim da vida ele entendeu isso.

Ou mesmo a própria Fernanda que sonhava que a vida perfeita era ter um filho Papa, quando esse sonho era só dela, e não do seu filho José Arcádio, que mesmo sendo enviado a Roma, a enganou por anos que estudava no seminário, e que após a sua morte voltou para Macondo para viver livremente.

Para mim, Gabriel Garca Márquez queria nos dizer para sermos felizes amando, vivendo intensamente nossos amores. Pois a vida passa e depois só vem o pó, assim com aconteceu com Macondo, que também virou pó!

A morte é uma traição

Gabriel numa entrevista disse que “Creio que a morte é uma traição imposta sem nos dar alternativa. Eu acho injusto.” 

No fundo, Gabriel venerava a vida intensamente! Por isso ele é tão cultuado, tão venerado.

E injustiçado pela sua morte em 2014, ele agora vive na nossa memória, e o seu livro Cem anos de Solidão está para sempre materializado numa das melhores séries que eu já vi!

Viva Gabriel Garcia Márquez e o seu amor de 56 anos de casado, Mercedes Barcha Pardo!

Viva o amor!!!