Querida mamãe

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Tupac Shakur é um os rappers mais talentosos e controversos dos anos 1990!

Filho de Afeni Shakur, uma ativista política de direitos humanos e integrante do Partido dos Panteras Negras.

Como dá pra imaginar, a combinação é bombástica, e isso claramente refletiu nas suas vidas e obras. 

Sim, SUAS!

É disso que se trata essa excelente minissérie documental dirigida por Allen Hughes (O livro de Eli) da Hulu no Disney+.

Assim que banner apareceu no slider da plataforma de streaming eu salvei no meu perfil para assistir e quando eu apertei o play, não parei até terminar.

Emocionante, violento, consciente, profundo, sensível… me faltam palavras para adjetivar o que assisti.

A vida de Tupac e Afeni são narrados pelos depoimentos de várias pessoas do convívio deles, artistas e personalidades que foram atravessados pelo brilho e intensidade de suas mentes e corações.

Mike Tyson, Dr. Dre, Snoop Dogg, Eminem, além de outros artistas, produtores da cena musical do rap da época, mas também diretores de cinema, atores como Vondie Curtis-Hall, Tom Roth, e sobretudo as suas tias, Sekiywa Shakur e Gloria Cox

A série mostra um emaranhado de histórias, relatos, reportagens, clipes e depoimentos. Tudo sem amarras, tudo mostrado de forma crua e direta, sem relativização.

Todas as controvérsias estão lá, há violência, ao mesmo tempo que muito afeto.

A vida de Tupac e Afeni é cercada por tudo isso, e o resultado é uma obra profunda na vida de centenas de milhares de pessoas, ainda que não saibamos.

Foi impossível não se emocionar enquanto via a violência escalar na tela e pensar: 

Não faz isso cara, vai dar merda! Vai para casa!!!

Não teve jeito!

4 tiros de calibre 40 e seis dias depois, Tupac deixava essa vida.

A vida que ele lutou e cantou tanto.

Foram 10 álbuns e mais de 400 canções, participações em vários filmes e roteiros.

Já Afeni, após o assassinato do seu único filho, ainda encontrou forças para seguir a sua vida, além da sua luta e o legado seu filho.

Ela fundou a Tupac Amaru Shakur Center for the Arts, um centro de artes cênicas para oferecer oportunidades a jovens através das artes.

O que ficou marcante para mim na série foi, apesar de toda controvérsia, violência e caos, a relação do Tupac com a sua mãe era de amor e admiração.

E a maior prova pública disso é a exatamente a canção que dá nome à série: “Dear Mama (Querida mamãe)“.

Mas o relato da Gloria Cox, que só vai saber quem assiste a série é que me pegou profundamente:

“Fantástico,
Sim, eu tive apenas um,
uma irmã e um sobrinho.

Mas caramba, como tive tanta sorte?

Olhe para mim, eles não poderiam estar aqui.
Eles tiveram que ir
para nós contarmos a história.

Não é surpreendente?

Podemos contar a história,
porque Afeni queria que fosse contada.
E todo mundo sabia disso.
Voem alto, voem!”