Neste final de semana eu assisti novamente a trilogia O Poderoso Chefão.
Nunca tinha maratonado todos de uma vez, e já fazia alguns anos que eu não visitava o filme da família Corleone.
É muito interessante rever filmes, séries, música e outras obras depois que você está mais velho. Muita impressão que você tinha se desfaz, e outras camadas também são adcionadas.
Foi muitio interessante a experiência e algumas delas eu quero compartilhar com vocês aqui:
O terceiro filme não é tão ruim assim como dizem
Que os dois primeiros filmes são superiores ao de 1990, não resta a menor dúvida.
O Poderoso Chefão: Parte I (1972) e O Poderoso Chefão: Parte II (1974) são indiscutivelmente obras-primas do cinema. Mas o fato é que eu cresci ouvindo que o terceiro filme da trilogia era muito inferior aos dois primeiros.
Sim, é inferior, mas não tanto quanto dizem.
Eu daria facilmente nota 8 para ele, fazendo da saga dos Corleones ser, na minha opinião, uma das maiores trilogias do cinema de todos os tempos.
Há claramente alguns problemas do roteiro durante a película. E em alguns momentos a trama é acelerada e pouco desenvolvida, resultando alguns diálogos rasos, como as da relação do Vincent e Mary Corleone.
A suposta péssima interpretação da Sofia Coppola
Ok, definitivamente ela não é uma boa atriz.
Mas, como eu citei acima, o roteiro tem seus momentos pouco desenvolvidos, e principalmente os dela, foram particularmente ruins.
Além disso, o ator Franc D’Ambrosio, que interpreta Anthony Corleone também atua mal, mas ninguém fala disso. Será machismo estrutural? Hoje eu acredito que sim!
O fato é que falta desenvolvimento em vários momentos, e pouco texto de qualidade foi dado à Sofia Coppola.
A missão de Calo
Interpretado pelo ator Franco Citti, Calo era o guarda-costa do Michael Corleone no primeiro filme, quando após matar Sollozzo e o Capitão McCluskey, Michael se refugiou na Sicília.
Calo se manteve fiel ao longo desses anos, e no terceiro filme ele assasina Licio Lucchesi enfiando a haste do óculos no seu pescoço. Uma morte beeeeeem pouco provável. Mas, é um detalhe interessante da trama para um personagem tão icônico e o peso da sua missão.
A enorme ausência do personagem Tom Hagen
Sempre me incomodou a ausência do nosso ‘Consigliere‘ favorito Tom Hagen no terceiro filme, deixando um vazio enorme, que nem de longe conseguiu ser ocupado por B.J. Harrison (George Hamilton).
Robert Durval se recusou a participar por conta da diferença salarial em relação à Al Pacino, que ganhava 3 ou 4 vezes mais que Durval.
Uma pena, o filme perde bastante em inteligência nesse papel, e George Hamilton só consegue fazer um personagem burocrata e sem sal.
A brutalidade das 3 histórias
O dilema que enfrantamos com a trilogia da família Corleone e admirar personagens tão cativantes e violentos ao mesmo tempo.
É o mesmo sentimento que sentimos com Travis Bickle (Robert De Niro) em Taxi Driver, Walter White (Bryan Cranston) em Breaking Bad, ou mesmo com Tony Soprano (James Gandolfini) em A Família Soprano.
Por mais que sejam histórias cativantes e tenham roteiros com diálogos e dilemas bem escritos, nenhuma dessas histórias poderiam terminar de uma forma diferente das que foram:
Morte, tragédia e muita violência.
E mesmo mais de 50 anos depois, a trilogia de O Poderoso Chefão, é, e continuará sendo uma obra-prima irretocável do cinema.
Foi um ótimo final de semanal!

