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Zico, meu exemplo de profissionalismo

Nascido no dia 03 de março de 1953, hoje Zico faz 60 anos.

Certamente o maior jogador do Flamengo de todos os tempos, e um dos grandes nomes do futebol mundial. Como eu sou de 73, passei boa parte da minha infância idolatrando Zico e o incrível time do final da década de 70 e boa parte de 80. Todos os domingos era sempre a mesma coisa, nós almoçávamos e partíamos para a casa do meu avô e de lá nos dirigíamos para o Maracanã. Uma grande caravana de carros, que seguiam o vô Dival (Diretor do programa esportivo da TVE na época) que sentenciava para o segurança do portão 17 destinado à imprensa: “esses 10 carros aí atrás estão todos comigo!“. Era uma outra época, com certeza! 😉

Zico e o meu avô Dival Roque Santos (Diretor do programa esportivo Stadium e Esporte Hoje da TVE)
Zico e o meu avô Dival Roque Santos (Diretor do programa esportivo Stadium e Esporte Hoje da TVE)

Nós chegávamos mais ou menos entre 2 e 3 da tarde e víamos o campeonato de juniores, que eram as preliminares do jogo principal. Era muito bom chegar no estádio com o Sol ainda alto, e depois de sair do túnel que dava acesso a arquibancada, fazia com que o reflexo do gramado ganhasse um brilho verde inesquecível para mim. Nós cantávamos os nomes de todos os jogadores por ordem numérica e quando chegava a vez do Zico o “Maraca” explodia e o “Galinho” sempre correspondia saudando a torcida.

Foram bons anos e que eu não esqueço até hoje. Me lembro de quantas alegrias eu tive assistindo Zico e companhia desfilar com um lindo e eficiente futebol. Saí raríssimas vezes do estádio derrotado por adversários, mas satisfeito pelo espetáculo e acima de tudo porque eu sabia que aquele camisa 10 voltaria no domingo seguinte com ainda mais garra querendo uma vitória. E é sobre essa determinação é que eu quero falar hoje.

Não bastava ser bom, foi preciso muita dedicação

Que o Zico é um craque, isso ninguém discute, tanto que o seu talento é inquestionável até mesmo pelas torcidas adversárias até hoje. Mas para mim existem duas coisas que são muito marcantes quando penso no Zico: O amor ao Flamengo e a dedicação ao seu ofício, base desse artigo.

Meu gol favorito do Zico contra a Nova Zelândia na Copa do Mundo de 1982
Meu gol favorito do Zico contra a Nova Zelândia na Copa do Mundo de 1982

Amor ao futebol, ao Flamengo e sua torcida!

Confúcio disse: “Encontre um emprego que você goste e nunca mais você vai trabalhar na vida“. Zico sempre amou o futebol e acima de tudo amava o Flamengo e a sua torcida! Ele dizia que jogar pelo Flamengo era um prazer e que o seu maior privilégio era ser pago por isso. Já naquela época eram raros os casos de identificação de um jogador com um clube, tanto que até hoje, boa parte da torcida rubro-negra sonha que ele um dia venha a dirigir o clube.

Mas não era só o amor pelo Flamengo que fazia o Zico ser tão especial. Sua dedicação aos treinos era algo notável. Zico era um dos primeiros a chegar no clube e sempre o último a sair. Ele cobrava faltas exaustivamente após treino usando uma barreira em formato de suporte e colocava uma camisa bem perto do ângulo da trave deixando um pequeno espaço onde só podia passar a bola. Isso fez com que o Galinho fosse declarado como o “maior cobrador de faltas brasileiro do século XX pela Revista Placar“. Treinar fazia com que Zico ganhasse uma performance ainda maior do que o seu talento nato, e isso o tornava quase imbatível.

O que eu aprendi com o Zico nos seus 60 anos

Que só com o talento nós não iremos muito longe. A prova disso são outros jogadores tão bons quanto ele que não conseguiram tantas glórias e sucesso na vida. Gostar do que se faz, dedicar-se a aperfeiçoar esse talento fez dele um profissional único e eu me espelho até hoje no que eu faço. De atletas da minha geração, somente Ayrton Senna chegou no mesmo nível de elevação de profissionalismo tão grande.

Para quem não se lembra Zico, sofreu uma lesão em 1985 que quase encerrou a sua carreira. Lesão essa considerada gravíssima para a época e que aposentaram muitos outros jogadores antes dele. Mas ela não foi suficiente para o Zico, que batalhou com muito mais afinco para a sua recuperação. Buscou tratamentos, fez outras operações e jogou muitas vezes com fortes dores e com menos de 100% de sua capacidade até o fim até se aposentar, mas mesmo assim ele venceu. Deu a volta por cima, e conseguiu ser campeão brasileiro novamente em 1987 mostrando que a sua dedicação era a sua maior qualidade.

Zico treinando cobrança de faltas depois do treino
Zico treinando cobrança de faltas depois do treino

Me espelhando no Galinho

Fazendo um paralelo com a minha vida, desde que eu me tornei freelancer eu tento me dedicar ao máximo com o meu trabalho. Acordo bem cedo e começo o meu dia treinando fazendo da minha leitura de feeds RSS o meu aperfeiçoamento como designer e profissional de Internet. Tento colocar a minha camisa no ângulo da trave na busca da perfeição em cada projeto.

Trabalhando em casa eu mesclo atividades de designer e pai ao mesmo tempo e para ambas funções eu preciso me dedicar. Tento ter uma vida regrada para que nenhuma parte seja prejudicada e concordo com o Zico, dedicação é a chave de tudo.

Amo o que eu faço, e vejo design em todos os lugares, seja num livro, numa revista, música ou filme. Para mim, tudo é referência para o meu trabalho. E faço isso naturalmente. Meu objetivo é o gol. É ver o meu cliente cantando o hino da sua empresa e o usuário dos sites que eu desenvolvo, assim como a torcida, quero vê-los fazendo “ola“! Cada projeto novo é uma partida de fim de campeonato. Estudo o adversário, treino com afinco e me concentro para ganhar! Foi isso que eu aprendi com o Zico.

Nem todo mundo é Zico né!? Eu no gol do jogo de 9 anos do blog @fimdejogo | Foto @celsopupo
Nem todo mundo é Zico né!? Eu no gol do jogo de 9 anos do blog @fimdejogo | Foto @celsopupo

Homenagem em retribuição

Para finalizar, eu quero deixar os meus parabéns aos 60 anos do Zico com o vídeo da última vez que o vi jogar no Maracanã. Foi na final da Copa União em 1987 contra o Internacional de Porto Alegre. Quando ele foi substituído no segundo tempo e o Flamengo estava com a mão na taça, eu gritei o seu nome pela última vez junto com a torcida. O Galinho não fez gol nessa partida, mas os outros 509 que ele fez pelo Flamengo compensaram e ainda estão vivos na nossa memória.

Parabéns Zico!

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