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Emergência radioativa

Eu tinha 14 anos quando a tragédia com o Césio 137 aconteceu em Gioânia/GO, e foi um choque no Brasil e no mundo! 

Só tinha passado apenas alguns meses após a explosão do reator da usina nuclear em Chernobyl, na então União Soviética, e dessa vez sobre os efeitos da radiação o medo era real aqui no país.

Eu lembro do trabalho na escola que eu fiz e eu fiquei em choque. 

Eu tinha muito medo sobre o tema depois de assistir um documentário sobre os impactos de uma bomba nuclear, afinal, ainda estavamos sobre o medo constante da Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética, e a tragédia do Césio 137 significava tudo isso, só que no nosso quintal para a minha geração.

Foi com esse sentimento que eu comecei a assistir a ótima minisérie documental Emergência Radiotiva na Netflix

Digo ótima, pois ela foi muito bem feita tecnicamente, mesmo tomando algumas liberdades narrativas para dar mais peso a dramaticidade dos fatos, mas sobretudo, nas histórias das pessoas envolvidas, e isso me pegou bastante e em vários momentos o choro foi inevitável.

Claro que também foi mostrada a falta de empatia e capacidade de lidar com uma tragégia inédita, principalmente no interior do país em 1987. 

A irresponsabilidade de todos os envolvidos no descarte de um material radiotivo tão devastador, afinal, foram somente pouco mais de 19 gramas do pó para matar 4 pessoas diretamente na época e mais de 100 indiretamente nos anos seguintes e outras mais de 1.000 que sofrem com impacto da radiação até hoje, fazendo dessa a maior tragédia radioativa do mundo fora de uma usina nuclear!

O que pra mim foi mais impactante foi o drama das pessoas. 

Por mais que todos os nomes delas foram trocadas para dar mais liberdade criativa, quase todos os fatos narrados na minisérie foram assim mesmo. 

Porém a parte muito ruim sobre a produção foi o fato de que nenhum envolvido foi comunicado, ou sequer ouvido, gerando muitos protestos entre as vítmas. 

A produção optou por se basear apenas nos documentos e fatos históricos conhecidos.

Ou seja, mais insensibilidade para as vítimas.

Mas o sentimento que ficou para mim depois de assistir a minisérie foi o que a crítica de cinema Isabela Boscov disse no seu vídeo: 

Eu acho que as cenas mais poderosas de Emergência Radioativa são justamente aquelas que mostram o encanto das pessoas que descobriram a cápsula com a beleza que elas estavam vendo… Isso é o que me arrasou. Tem cobiça, ganância, indiferência, irresponsabilidade e descaso para todos os lados nessa história, mas não ao lado das vítimas. O que selou o destino delas foi primeiro o deslumbramento e depois a generosidade em dividir ele com os outros. É muito triste.

Isso foi exatamente o que eu senti ao terminar de assistir a minisérie, e foi impossível não fazer um paralelo com a época da Pandemia da COVID19, e que como parte da população lidou com ela.

Repetimos atos de corrupção, descaso, falta de empatia, comportamento anticiência, preconceito, e se o caso do Césio 137 acontecesse hoje no Brasil, a tragédia seria certamente maior. Infelizmente!