5 anos de freelancer – Em busca da minha própria voz

Abril de 2008. Depois de 4 meses de muitas dúvidas e tentativas frustradas de conseguir um emprego como webdesinger, eu decidi me lançar como freelancer. E passados 5 anos, hoje eu vejo que fiz a escolha certa, mesmo que eu esteja ainda em busca da minha própria voz. Sim, minha voz. Para quem não sabe, eu estou me referindo ao discurso inspirador do músico Dave Grohl no SXSW desse ano. Ao assisti-lo percebi que a minha busca profissional é baseada nesse conceito.

Na época eu nem sabia o que eu estava fazendo. Eu apenas seguia o meu instinto. E querem saber? Ainda é assim!

Mesmo agora, aos quarenta anos de idade eu apenas sigo o que eu sinto. Claro, que isso não paga contas, não fecha novos contratos, mas quem disse que a gente não “aprende as coisas” com o passar do tempo? No vídeo Dave conta que não importa se você sabe o que está fazendo, ou está fazendo algo que ninguém nunca viu antes. A questão é conseguir a sua própria voz! E foi isso que eu fiz, e mesmo sem saber, vivi mais intensamente esses 5 anos do que os 35 anteriores da minha vida!

Tudo começa quando…

… eu trabalhava no GPI como designer gráfico há 5 anos e fui promovido a supervisor da equipe de criação porque não havia mais ninguém para assumir o lugar. Sim, esse foi o meu mérito. Eu era o único. Melhor confiar em “alguém da casa” do que tentar mais uma vez contratar um novato, que por mais especializado que fosse, acabaria vendo que o lugar era um verdadeiro barril de pólvoras e desistira também!

Eu assumi o cargo depois de pensar num fim de semana e muito conversar com a minha esposa e acabei trabalhando no cargo por quase um ano com muitos méritos. Gostei do que fiz, e fiz com uma surpreendente habilidade. Administrava entrada e saída de material interno da gráfica, lidava com autores e a equipe de criação, sem descumprir nenhum prazo e o meu diretor me via como um ótimo funcionário.

Mesmo assim, eu me sentia vazio. E depois de trabalhar em 3 projetos com “freela de madrugada” para a Patrícia Lanes da Agente Comunicação, perguntei se ela não tinha uma vaga para mim na sua empresa. Ela conversou com a sócia dela e quatro meses depois eu estava trabalhando na empresa que seria o meu trampolim para a minha carreira solo.

E então eu conheci a Internet!

Na Agente Comunicação eu tinha uma Internet banda larga só para mim! E nela eu descobri os blogs, as redes sociais, o Feed RSS e os seus leitores! Foi nessa empresa que eu aprendi a usar o Photoshop para “layoutar”. Foi graças ao meu amigo Keith Rodrigues que eu perdi o medo e aprendi a usar o software da Adobe até chegar no limite de exibição de “layers” de um arquivo PSD!

Foi lá também que eu conheci o Twitter. A conta já existia desde o dia 11 de setembro de 2007, mas foi na Agente Comunicação que o Twitter passou a ser minha Internet e segui muita gente boa e aprendi muito com isso! Conceitos, métricas, planejamento.

Também no Twitter eu conheci amigos que me acompanharam na minha trajetória nesses últimos cinco anos. Gente como Nino CarvalhoCarlos NepomucenoPatrícia HaddadPatrícia MouraRoney BelhassoffFábio CarvalhoJosé TelmoMarisa LemosGuga Alves entre tantos outros mestres!

Então a Agente Comunicação chegou ao fim.

Depois de uma discussão boba entre duas dos 4 sócios,  a empresa acabou. E no dia 2 de janeiro de 2008 recebemos um comunicado que a empresa seria desfeita. Uma bela forma de começar o ano, só que não! Na época eu não consegui me perdoar por ter saído do GPI para trabalhar na Agente Comunicação. Minha vida financeira despencou, e claro, a minha família sentiu. Muito mesmo!

Tentei voltar ao mercado, fiz entrevistas, umas 4 no total. Na época, eu fui parar numa empresa e a entrevista consistia em eu ter que fazer uma peça em design gráfico em dois dias para conseguir a vaga. Eu fiz numa noite e claro, nem consegui o emprego, e nunca obtive o retorno sobre a peça! Só depois é que eu vi que eu participei de uma “licitação especulativa” sem saber. Coisa de novato mesmo!!!

Então em abril eu decidi ser freelancer. Simples assim! Percebi que eu ganhava mais trabalhando em projetos por conta própria do que sendo empregado. No papel a conta sempre fechava. Mas “na vida real“, eu levei 2 anos para sair do vermelho, e mesmo hoje, passados cinco anos, não tenho dinheiro sobrando na minha conta bancária. Aliás, quase nunca tenho, mas pelo menos eu consigo pagar as minhas contas.

Mesmo freelancer, você não está sozinho!

Quando eu ainda estava no GPI eu tive um amigo que trabalhou comigo como freelancer em alguns projetos. A gente se intitulava como a Agência DUO e ele era o meu sócio. Agente fazia o esquema de “freela da madrugada” e eu desenhava e cuidava dos layouts e ele programava em ASP.

Chegamos a ter 6 clientes mensais mais ou menos. Tudo funcionou bem durante um tempo, até que em setembro de 2008 o meu sócio caiu fora, e eu, além de estar sem grana, estava sem parceiro no desenvolvimento dos projetos. Tive que rever contratos, devolver dinheiro (que não tinha) para alguns clientes e então sai em busca de novos parceiros.

Então em 2009 (um ano mais tarde) eu começava uma nova fase na minha vida de freelancer quando eu comecei uma parceira de sucesso com o meu amigo Cayo Medeiros, o Yogodoshi. Juntos nós fizemos 5 projetos baseados em WordPress, e enfim eu achei um modelo de negócio.

A voz e o caminho.

Ao contrário do Dave Grohl, eu não encontrei a minha própria voz, mas acredito ter encontrado o meu caminho e sigo nele ouvindo os meus instintos. O que o futuro me reserva? Quanto tempo mais serei freelancer? Nada disso eu sei. Mas o que sei é que é muito bom ser freelancer!