Ocupar os espaços de debate, mas sem fulanizar

Nas últimas semanas um ator político disse que mulheres votam mal estatisticamente, e que poranto, não deveriam votar.

Essa é uma corrente que voltou com força recentemente, e claro, gerou intensos debates nas redes sociais e na mídia independente e hegemônica.

E quando isso acontece, parte do campo progressista sempre levanta um recorrente argumento:

Parem de dar palco para a oposição!

É um argumento válido, importante e que precisa ser refletido com atenção e estratégia.

Certos temas como esse são tão absurdos, que é irresistível falar sobre eles nas redes sociais e aí ganhamos um novo problema.

Em vez de combatermos somente a pauta, temos que ficar argumentando com os nossos pares justificando o combate.

E no final, quem ganha é exatamente aquele que plantou a semente da intolerância!

Eu SEMPRE fico no mesmo dilema:

Ingoro e vejo o tema o tempo todo nas rodas de discussão nas ‘timelines‘, ou exponho a minha indignação sobre o tema tentando combater o absurdo, mas ao mesmo tempo, dou mais visibilidade para quem o plantou?

É uma merda isso!

Nunca acho que estou realmente contribuindo como cidadão!

Mas ontem eu assisti o corte de um vídeo muito legal do casal Nilce Moretto e Leon Martins, os produtores de conteúdo de várias iniciativas e temas nerds, mas a principal delas o canal “Cadê a chave?“.

O título do corte de vídeo se chama “Hoje atacam o voto da mulher, amanhã é o seu“.

No vídeo, Nilce e o Leon falam sobre o dilema que o campo progressista sempre enferenta nesse tipo de situação, e eles trazem uma refelxão que eu me pareceu ser a forma mais correta de combatê-la.

Ocupar os espaços de debate, mas sem fulanizar.

Isso é trazer o tema que o “fulano” levantou para gerar visibilidade para si próprio, e combatê-lo, sem dar nome, sem expor o seu conteúdo, diminuindo o seu alcance.

Pode parece pueril a estratégia, mas é o que podemos fazer.

Afinal nós sabemos que a polêmica é, e sempre será, a maior forma de engajamento para as ‘Big Techs‘, tanto que elas recompensam os usuários que sabem que é assim que funciona.

Recomendo que assistam o vídeo de corte sobre o tema.

Dessa forma, à partir de agora, essa será a forma que eu atuarei daqui pra frente. 

Vou conter o meu impulso da minha indigação de replicar os conteúdos que expoem a intolerância da extrema direita e vou gerar meu próprio conteúdo sobre o tema.

Vou ocupar o espaço sem fulanizar!

Mesmo que eu seja apenas uma pequena gota que se une a outras gotas, na esperança se tronar um mar, um oceano de ocupação.

Obrigado Nilce e Leon!

#Update 01

Acabei de ver uma boa forma de produção de conteúdo que combate um tema absurdo sem fulanizar. É umo vídeo da Caroline Martins, do perfil @aincrivelcarol_ no Instagram.

Clique aqui e assista