Citação para pensar:
2012
01.29

Para os mais desavisados, na última quarta-feira (25/01/2012) por volta das 20:30h, desabou o edifício Liberdade (de 20 andares), que acabou derrubando outros dois prédios vizinhos, um de 4 e outro de 10 andares. E para quem não sabe, o primeiro edifício funcionava a empresa NUVA dos meus amigos Guga Alves, Luan Muniz e Pablo Augusto, além dos funcionários José Lenine e José Telmo, também amigos. Só que nesse dia, eu também estava lá mas saí um pouco antes do desabamento!

Meu Check-in no dia do desabamento no RJ

Meu Check-in no dia do desabamento no RJ

Enquanto eu escrevo esse artigo, segundo a Defesa Civil, 17 pessoas perderam suas vidas e outras 5 continuam desaparecidas. Um final trágico para as famílias e amigos que jamais imaginariam que um prédio viesse ao chão da forma que foi. Por mais que fosse antigo, a gente nunca acha que esse tipo de coisa um dia fará parte da nossa história.

Mas vocês devem estar se perguntando o que eu fazia lá não é mesmo!?

Eu estava visitando os amigos pois temos um projeto em comum (que precisou ser adiado temporariamente) e eu fui lá para me certificar que estava tudo certo. Eu fui gravar um podcast sobre a vida de freelancer um pouco mais cedo numa outra empresa (Hostnet) e depois desse compromisso dei um pulo na NUVA por volta das 17:30h. Conversamos sobre o projeto, acertamos os últimos detalhes e combinamos de lançar o projeto no dia seguinte.

O Guga tinha marcado um futebol society com outros amigos e disse que iria embora e eu o acompanhei. Saímos às 18:45h deixando Luan e Lenine na empresa, que saíram pouco tempo depois. José Telmo nesse dia trabalhava remotamente de casa, assim como o Pablo, só que ele foi no contador, que funciona num outro andar desse mesmo prédio e ficou resolvendo questões burocráticas até pouquíssimos minutos antes da tragédia. Ele mora no bairro de Fátima, que é bem perto da empresa e assim que chegou em casa viu na TV que o prédio em que ele estava há poucos minutos não existia mais, assim com a sua empresa. Pablo realmente nasceu de novo. E querem saber? Era o seu aniversário, por isso ele saiu cedo. Sim, cedo, porque era hábito comum da equipe de ficar até às 21h praticamente todos os dias.

A velocidade do Twitter na busca de informações

Alheio a tudo que estava acontecendo, eu peguei uma van até a minha casa na Taquara, e levei 1h para chegar em segurança às 21:15h e vi na Internet os meus amigos falando sobre o desabamento e eu ainda sem entender o que estava acontecendo, busquei no Twitter informações sobre essas mensagens e então descobri que a tragédia era na rua 13 de maio, justamente onde eu estava. Confesso que gelei, pois eu sou freelancer e trabalho em casa e pensar que poderia acontecer alguma coisa comigo tão longe de casa e da minha família me fez muito mal.

Usando o Twitter em busca de informações sobre o desabamento RJ

Usando o Twitter em busca de informações sobre o desabamento RJ

A partir dai começou a busca por informações sobre os meus amigos. O Luan estava frenético no Twitter, portanto estava vivo. José Telmo estava em casa em segurança. Faltava saber do Guga, Pablo e Lenine. Liguei para o Guga, que já havia falado com o Luan e Lenine e finalmente o Pablo apareceu na “timeline” dizendo que já estava chegando no local para saber o que estava acontecendo. Enfim, todos os amigos estavam salvos. Começava ali uma correria para saber mais detalhes da imprensa que fazia a reportagem da tragédia se era de fato o edifício Liberdade que havia caído. No local estavam Guga, Pablo e Luan. Cada um num ponto por causa da confusão. Nas suas casas, outros amigos em comum buscavam na web e na TV informações que pudessem acalmar a equipe da NUVA, mas infelizmente, às 23h um vídeo da Globo News não deixou dúvidas de que era realmente o prédio onde funcionava a agência, e mais uma vez eu me senti mal. Avisei aos amigos e lá pelas 00:30h eu desliguei tudo e me envolvi no meus pensamentos. Dormi muito mal com tudo isso e acordei bem tarde no dia seguinte.

Estou vivo, e agora?

A primeira coisa que eu pensei assim que acordei foi “estou vivo, graças à Deus!”
Então, como de hábito, eu fui trabalhar. Na “timeline” mensagens de apoio de todos os lugares:
“Força galera”, “vai ficar tudo bem!”, “pelo menos foram bens materiais”, “vocês vão reconstruir tudo, vocês vão ver”.

E outra vez eu me senti mal com tudo isso. Olhei para a minha família, para a mesa do meu computador e pensei como era bom ter um dia seguinte “normal” para viver. Então percebi que os meus amigos estavam vivos mas não tinham como trabalhar. Eu conhecia a realidade financeira deles, sabia da dificuldade de uma empresa de apenas 5 meses e como os meses de janeiro e fevereiro são ingratos nas prospecções e continuei me sentindo mal! Então eu decidi não trabalhar naquele dia para ajudar os meus amigos. Chamei um outro amigo em comum, o Bernard de Luna e combinei de fazer uma Vakinha e gravar um vídeo enquanto ele criava um Tumblr para arrecadar dinheiro para a NUVA se levantar novamente. Assim nasceu o ajudeosamigos.tumblr.com! Quando finalizamos tudo, percebemos na “timeline” que já existia uma Vakinha rolando, então ajustamos tudo e começamos a publicar mensagens com a hashtag #AjudeOsAmigos e avisar a galera para ajudar.

O reencontro com dois amigos e a certeza da amizade e reputação

Ontem (28/01/2012) eu fui dar a aula inaugural do curso pós graduação em marketing digital da INFNET sobre WordPress e lá estavam os amigos Guga Alves e José Telmo, vivos e felizes. A Vakinha foi um sucesso e eles me contaram sobre a reunião que os sócios fizeram no dia anterior refazendo as contas dos prejuízos causados pela tragédia e como a ação dos amigos e da comunidade de profissionais do mercados os ajudaram. Não é de hoje que citamos os “cases” falando da importância da reputação entre consumidores e marcas e como ela é importante, só que dessa vez nós “sentimos isso na pele”.

Vida que segue. De volta ao trabalho!

Vida que segue. De volta ao trabalho!

As manifestações de solidariedade e apoio continuam rolando em toda Internet. Já são mais 18 mil visitas na Vakinha, em quase 12 mil reais arrecadados, além de dezenas de empresas cedendo suas instalações para que a NUVA possa trabalhar até se restabelecer novamente. Destaque para a agência Quatix que forneceu um notebook, e a agência Frog que cedeu 4 PCs.

Mas o maior destaque foi a Metsre SEO que criou uma promoção baixando o preço de um dos seus produtos, a Assinatura Ouro, e revertendo toda a renda em prol da NUVA! São ações como estas é que vemos que a solidariedade de nosso povo ainda resiste bravamente e aflora nos momentos de maior dificuldade. Mas acima de tudo a reputação que todos esses profissionais possuem no mercado fazem com que toda a comunidade se engaje na ação e ajude-os a reverter esse quadro. Sem dúvida nenhuma, esses meus amigos possuem muito capital social (whuffies), ainda bem!

E se eu decidisse "ficar só mais uma pouquinho"?

E se eu decidisse "ficar só mais uma pouquinho"?

“Somos muito frágeis”.

Essa foi a frase no emocionado vídeo do meu amigo José Telmo. E é verdade! Num minuto eu estava fazendo uma visita de rotina e poderia começar a jogar um Xbox enquanto esperava o Guga terminar seus últimos afazeres e poderia decidir “ficar mais um pouquinho” e hoje não estaria aqui escrevendo esse artigo. Por isso meus caros leitores, sejamos sábios, humildes e firmes. Celebremos a vida dos que sobreviveram!

Desejo paz no coração das pessoas que perderam seus entes queridos, familiares e amigos.

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8 Comentários

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  1. Até agora a ficha não caiu para mim, imagina para vocês!

    Talvez todos nós passemos muito perto da morte algumas vezes por ano, mas raramente percebemos isso com clareza. Cara! Não foi algo que aconteceu às 20h30, uma explosão ou algo assim, era algo que estava acontecendo há tempos! O prédio ao lado vinha desabando… Podia ter caído duas horas antes.

    Tenho dificuldade em ficar feliz pois dezenas de pessoas faleceram e centenas estão sofrendo diretamente essas mortes, mas sinto um alivio por meus amigos estarem vivos e bem.

    Também nos faz bem ver que o profissionalismo, a honestidade e seriedade dos amigos são premiados com reputação e apoio dos amigos, parceiros e concorrentes comerciais.

    Esse definitivamente é um mundo em que vale a pena viver!

    • Realmente Roney. Não consigo sentir alegria nesse caso e sim um misto de alívio e preocupação sobre o “quase”.

  2. Cris,

    Parabéns pela iniciativa do vídeo para ajudar aos amigos. todas as vezes que leio ou vejo algo a respeito desta tragédia, lembro dos caras, apesar de conhecê-los apenas virtualmente. São iniciativas como essas que nos faz ter esperança de que ainda existem pessoas boas no mundo. O fato de não conseguir sentir alegria já que muitos morreram, é a prova de que você é uma pessoa boa e se importa com as pessoas, o que nos dias de hoje está se tornando cada vez mais raro. Parabéns e que Deus lhe abençoe sempre!!

  3. É uma situação onde não se te previsão, ideia ou sequer noção, pois nenhum de nós lembra de nenhum acidente como este. A decisão de ficar ou sair pode ser comparada, definitivamente, com a decisão de viver ou morrer e por isso dá a mesma sensação de fragilidade do ser humano, que em um minuto está vivo e no outro morto.

    Este é realmente um recomeço para quem esteve perto do acidente ou no local antes do ocorrido, pois com certeza a vida delas mudou (mesmo que não materialmente) e o modo de pensar sobre como viver ficou um pouco diferente.

  4. Bizarro, bem bizarro isso… Passo ali sempre que estou indo pra Lapa beber uma cerveja com os amigos e ver o que aconteceu foi triste e bem do lado do escritório do Videolog.

    Depois que confirmei que estava geral bem, fui dar um pulo pra saber se era realmente o prédio e choquei com a imagem e confirmação que era realmente o prédio.

    Não ficamos feliz, jamais, por causa do que aconteceu, mas como você disse, aliviados por vocês terem saído vivos de lá um pouco antes. Choca perceber isso e pensar “caralho, poderia estar ali mermo”.

    Bem material a gente consegue de volta, mas o sorriso e a vida, não. Agora é agradecer e correr atrás, eles estão muito bem, passou o boom, agora é reconstruir o sonho ;)

    E vamo que vamo seus putos :)

  5. Cristiano, seu relato ficou show. Sinceramente, assustei-me ao extremo quando vi as primeiras imagens do local, pós-desabamento, via Globo News e fiquei chocada pela localização, pelo risco, mas especialmente pela expectativa incerta de que a qualquer momento incidentes (ou melhor, tragédias) como essa podem voltar a acontecer. Pensava no Teatro ali do lado, em pessoas que estivessem passando na rua e eventualmente em funcionários fazendo hora extra, mas não dediquei nenhum minuto aos bens materiais, objetos de valor ou “capital” de um escritório ou outro.
    Em situações como essa a gente pensa primeiro nas vidas, por isso, fiquei assustada pela sua presença lá, mas muito feliz por você e seus colegas terem saído ilesos.
    Agora, pensando friamente sobre as perdas e prejuízos, consigo imaginar a sensação de “sem chão” pela qual o pessoal da NUVA e outros escritórios devem estar passando, mas isso graças ao seu relato. De novo, friso que fico muito feliz em saber que vc já estava a caminho de casa.
    Acho que se podemos tirar lições na vida, pós catástrofes, é a de que o ser humano está sempre se superando e a capacidade de ser solidário, de angariar fundos e bens para o outro sem desejar nada em troca além da sensação de dever cumprido, imbuído puramente pela sensação de empatia, prova isso.
    Seu gesto foi muito bacana! Que bom que as agências se movimentaram e os profissionais do setor também. Um case bem sucedido p/ palestras futuras e uma etapa de vida única pra todos vocês.
    Parabéns, Cris.

    Beijo em você e na família.
    Tiffany @blogdati

  6. Por mais bizarro que possa parecer e independente das crenças , tenho certeza que nada acontece por acaso. Felizmente para uns ainda não era a hora e fico feliz de que tenham sido pessoas próximas. Nessas horas ficamos procurando notícias de pessoas conhecidas, mas temos que nos solidarizar com todos os que, de alguma forma, sofreram as consequências desse terrível acidente. Excelente relato!

  7. Puxa, to meio sem palavras… isso tudo mexe com a gente demais.
    Muito bom o post!

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