Sobre o vídeo do aluno quebrando a sala de direção em Macaé-RJ

Onde há fumaça, há fogo.

Analisar um vídeo assim, sem saber o contexto, além de pouco-científico, é acima de tudo irresponsável, mas de uma coisa todos nós temos certeza, uma criança não agiria dessa forma.

E percebam que na minha frase eu não usei a palavra “normal” para expressar a minha opinião.

NENHUMA criança agiria assim, se não houvesse algo de errado. Meu filho tem Síndrome de Asperger, e mesmo que ele confunda expressões faciais, ele SABE quando há algo de errado na minha fala, e eu sei quando há algo errado com ele. Sei quando ele está triste, ansioso, frustado, entendiado ou mesmo triste.

Aquela criança estava MUITO triste e foi MOTIVADA pelos seus sentimentos a reagir daquela forma. Se por falta de educação, mimo, ao outra coisa qualquer, o fato é, onde há fumaça, há fogo!

Eu vi muitos comentários do tipo “se fosse comigo, apanhava de vara de marmelo”, “isso é falta de surra” e afins, e nem vou levar em consideração, pois se você não consegue perceber que o mundo evoluiu, nem deveria estar lendo esse post, seu objetivo é ver o circo pegar fogo!

Há sim, algo errado na vida dessa criança. Na matéria feita pelo telejornal da região a pedagoga da escola disse que era a segunda vez que o “surto de raiva” acontecia. Ora bolas, se já aconteceu antes, será que a escola já conversou com a família? Se conversou, qual foi a percepção do que pode estar motivando esse comportamento? Se soube a causa, como agiram numa solução?

Agora, se nada disso aconteceu, e o que motivou a escola a filmar e publicar o vídeo sem a participação ou autorização do responsável foi apenas para salvaguardá-los de futuros problemas, ou um desabafo sobre o sentimento de impotência de uma situação refém, sinto muito, a escola ERROU FEIO!

Antes de qualquer coisa, errou em não entender como a Internet funciona.

Expor a imagem de um MENOR de idade, além de ILEGAL é IRRESPONSÁVEL! Imagine o que um sociopata pode fazer mesclando aquele vídeo com algo muito mais deplorável como pedofilia!

Errou porque não sabem como agir numa situação como essa

Então quer dizer que nenhum dos profissionais dessa escola já teve que lidar com um aluno com problema de comportamento independente da natureza? E o que dizer da direção da escola, será que é mal preparada, capacitada ou “é tudo assim mesmo, essa geração de hoje em dia é fogo!”???

Errou em pedir ajuda da pior forma possível

Claro que todos nós sabemos dos desafios de educar nossas crianças numa época em que nós vivemos! A Internet está aí para ajudar, mas também está para prejudicar. Trazer o debate sempre é útil para a sociedade, mas não foi isso que aconteceu. No vídeo, o discurso fica claro que o objetivo foi apenas se safarem de algo pior e não focaram em EDUCAR a criança.

Em nenhum momento ouvimos frases do tipo “fulano, não faça isso que é errado”, ou “é assim que você quer agir, como uma criança que não sabe se comportar”. O TEMPO TODO só ouvimos “larga ele, fazer o que?”, “Deixa ele quebrar, a mãe dele vai pagar tudo depois”, é essa a pedagogia da escola?

Eu tenho dois filhos (um de 15 e uma de 10) e infelizmente não vejo uma luz no fim do túnel para escola no que se refere ao momento atual que vivemos. Não, esse vídeo não representa a educação brasileira, mas é cada vez mais frequente e o que vemos é uma escola refém, inapta e pior de tudo, conformada! E nessa conta eu TAMBÉM incluo MUITOS pais, que acham que a escola é lugar para EDUCAR seus filhos, quando na verdade a obrigação é deles próprios.

Se todos trabalharem com consciência em prol do livre pensamento das nossas crianças, quem sabe, as futuras gerações jamais verão cenas lamentáveis como essa.


Sobre o vídeo do aluno quebrando a sala de direção em Macaé-RJ was originally published in Eu tenho um filho especial on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.

Videocast Nerdologia falando sobre o autismo do Sheldon Cooper

Antes de começar esse texto de hoje, eu preciso apresentar duas coisas:

Primeiro o Nerdologia, que é um excelente canal sobre ciência usando a cultura nerd como narrativa, apresentada pelo biólogo Átila Iamarino. Eu acompanho o canal desde o começo e eu e o Nicolas gostamos muito! E é muito comum vê-lo assistir um outro episódio quando está navegando.

A segunda apresentação é até mais fácil, pois muita gente conhece, mas caso você não saiba, existe no canal de TV por assinatura da Warner um “sitcom”, ou situation comedy (“comédia de situação”, numa tradução livre) chamado “The Bing Bang Theory” sobre a vida dos amigos Leonard, Sheldon, Howard, Raj e sua vizinha, Penny.

A série possui temática de assuntos tipicamente nerds e o personagem Dr. Sheldon Cooper (sim, ele é um doutor!) normalmente é dito como autista pelo público espectador do programa, e é disso que se trata o episódio 98 do Nerdologia.

Pra variar, Átila faz uma excelente narrativa sobre o tema e cita vários bons exemplos sobres os seus argumentos, dentre eles o filme Rain Man sobre Raymond Babbitt que tem a Síndrome de Savant, e o caso da Temple Grandin, autista, também tema de filme do mesmo nome. Eu somaria ao vídeo como referência o filme Adam, que conta a história de um jovem adulto autista que perdeu o seu pai e com a chegada de uma nova vizinha, enfrenta as dificuldades de viver sozinho nas relações sociais sem entender o mundo.

O mais importante nesse vídeo, foi mostrar que mesmo por trás dos padrões repetitivos, e dificuldades de relacionamento com outras pessoas (pais, até!), um autista é antes de tudo um indivíduo, e isso fica claro no episódio. Ainda que não intencional, ou não!

Se você não sabe, ou não entende o que é autismo e Síndrome de Asperger, vale muito assistir!


Videocast Nerdologia falando sobre o autismo do Sheldon Cooper was originally published in Eu tenho um filho especial on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.

Há 15 anos atrás…

nascia a pessoa que mudaria a minha vida profundamente.

Hoje me faltam palavras para expressar o que eu penso,

e o quanto eu sinto por você.

Parece que foi ontem,

mas também parece que foi há muito tempo.

Essa jornada foi cheia de sentimento,

surpresas,

desafios,

conquistas,

alegrias

e amor. Muito amor.

Você é o meu filho,

e o que eu mais quero é vê-lo feliz!

Faço tudo por você

e de vez em quando faço mais do que devo,

e então escuto a sua sonora frase:

“Pai, eu não sou mais criança, sou um adolescente, esqueceu?

E então percebo o quanto o tempo passou!

Vi você aprender a ler e escrever sozinho,

também vi você ser alfabetizado,

vi que enfrentou o desafio de frequentar a escola,

o convívio com outros alunos,

as convenções sociais,

e vi que você venceu cada uma dessas fases.

Muitos pais quando os filhos chegam nessa etapa

chamam seus filhos de “aborrecentes”.

Para mim,

você “adorecente”!

Conviver com você é um grande prazer,

é um privilégio,

uma bênção filho!

Desejo então que você enfrente o mundo,

ultrapasse as suas barreiras.

Seja o que você quiser,

faça o que quiser fazer…

e saiba

que eu,

a sua mãe,

sua irmã,

e todos aqueles que te amam,

todos nós estaremos lá,

para apoiá-lo no que quiser ser.

Que a força esteja contigo meu filho.

Onde quer que você vá,

nós estaremos contigo.

Feliz 15 anos!


Há 15 anos atrás… was originally published in Eu tenho um filho especial on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.

Curta-metragem ‘Espectro’. Uma boa ideia desperdiçada

Nós pais de crianças do espectro autista, vivemos sempre uma batalha por dia. Conviver em sociedade com tantas dúvidas e incertezas é um grande desafio. E sempre que surge na mídia algo que possa trazer conhecimento sobre a nossa vida e sobre os nossos filhos é quase sempre um alento. Eu disse ‘quase’ porque algumas vez a intenção é até boa, de verdade, mas o resultado nem sempre atinge o objetivo: conscientizar a sociedade.

O caso de hoje é o curta-metragem ‘Espectro’, que apesar de de sido feito em março de 2014, só agora tomei conhecimento dele. Minha esposa indicou o link e pediu a minha opinião. Eu assisti os quase 15 minutos duas vezes e realmente não fiquei satisfeito com o resultado final.

Mas antes da minha crítica, vamos aos pontos positivos

SEMPRE acho que ainda sim, a produção do vídeo fez bem ao retratar a realidade do universo autista. É MUITO importante que esse tema seja abordado. Quanto mais pessoas tomarem conhecimento, mais esclarecida será a sociedade, ainda mais num filme com cinematografia tão elevada, pois chama bastante a atenção.

O fato da óptica do tema ser sobre o comportamento dos pais, e não da criança, também é um ponto mega positivo. Sem equilíbrio dos pais, jamais uma criança poderá viver saudavelmente, principalmente uma criança autista. A questão que me deixou insatisfeito é justamente o maior argumento descrito no vídeo: a “sutileza”.

A crítica sobre o filme

No meu entender, usar a ‘metáfora’ como narrativa, confunde o espectador leigo. Eu digo metáfora porque toda a história proposta do filme é uma imaginação da mulher, que durante o vídeo, nós achamos que é a mãe do menino Bruno, o autista em questão. Dessa forma, o curta-metragem deixa cumprir o papel de esclarecedor, e entrega algo ainda mais confuso para a sociedade.

Eu entendo que ao contar uma história, todo cineasta tem livre expressão para criar a sua narrativa. A questão que falta é justamente não entender o que cerca esse universo. O resultado final é um filme que não explica nada e só mostra um drama familiar, que apesar de muito importante de ser mostrado, é apenas a ponta do ‘iceberg’ desse tema.

Infelizmente, uma produção tão bonita, criada por produtores nacionais que poderia entregar uma peça eficaz na conscientização da sociedade, falha por ser ‘sutil’ demais. Uma pena.

De qualquer forma, convido vocês a assistirem o vídeo abaixo e tirem as suas próprias conclusões. Aguardo suas opiniões nos comentários.


Curta-metragem ‘Espectro’. Uma boa ideia desperdiçada was originally published in Eu tenho um filho especial on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.

Obrigado filho!

Eu não sou mais a mesma pessoa desde o dia que você nasceu.

Sua existência mudou a minha personalidade profundamente.

Já não consigo mais lembrar da época antes de você nascer.

Para mim, é como se EU não existisse.

Você chegou na minha vida e fez de mim uma pessoa melhor!

Me dedico, mas nem preciso me esforçar.

Estar com você não é trabalho,

não é fardo,

é até fácil.

Algumas pessoas dizem que me admiram pela trajetória de lutas e vitórias que eu tenho com você.

Quando isso acontece eu sempre sorrio,

mas lá no fundo eu sempre me pergunto

“me admiram pelo o quê?”

Viver contigo filho é um grande prazer. Será que elas não notam?

Ouvir você me chamar de pai é mais do que gratificante…

é intenso,

chega ser divino!

Sou privilegiado de tê-lo como filho.

E em dias festivos como hoje,

gostaria de presenteá-lo com uma única palavra,

e que ela expresse tudo o que eu sinto por você…

e só posso dizer obrigado.

Obrigado por me amar,

obrigado por ser meu filho,

eu amo ser seu pai.

— –

Feliz 14 anos Nick.


Obrigado filho! was originally published in Eu tenho um filho especial on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.

Formatura do 5º ano. Que venha o ginásio!

Das suas conquistas,

essa, sem dúvida nenhuma,

é a mais esperada!

Assinar o seu boletim com as melhores médias de todo o seu histórico escolar realmente foi empolgante!

thumb-formatura-do-5o-ano-que-venha-o-ginasio

Tanta coisa já se passou desde que você pisou na escola pela primeira vez.

Tantas alegrias,

tristezas e frustrações.

Mas acima de tudo foram muitos desafios superados!

De uns dois anos pra cá você evoluiu,

cresceu,

amadureceu.

E hoje você faz 100% das provas (lembra quando você só fazia ‘quase’ a metade?),

se comporta melhor em sala,

e nós sabemos o quanto várias pessoas reunidas, mesmo em silêncio com apenas a professora falando pode ser ‘muita informação’ para você!

E justamente por causa disso é que enxergamos o seu esforço.

Suas provas feitas sem deixar nenhuma questão em branco,

sua letra caprichada, quase desenhada,

seus livros e cadernos limpinhos, mesmo nos últimos meses!

Ficamos sempre muito felizes quando você se apresenta na escola juntos dos seus amigos de classe,

seja na homenagem do dia das mães,

ou fingindo tocar flauta na apresentação do ‘tio Leo’.

É por isso que ontem TUDO foi tão especial filho.

Ouvir a sua voz no microfone pela primeira vez foi magnífico!

Sentimos como se estivéssemos na ‘Brodway’!

A homenagem aos pais foi mais do que providencial,

tocou profundamente nossos corações,

nossas vidas, nossa existência.

No próximo ano os desafios crescerão.

Não haverá mais ‘tia’ e sim ‘professora’,

serão muitas matérias,

mas os seus amigos estarão lá para apoiá-lo,

e nós também!

Parabéns filho,

parabéns pela conquista.

Sei que muita gente ajudou nessa caminhada,

todo os funcionários e amigos da escola,

a tia Sueli,

a tia Fátima e a sua coragem em fazer voltar um ano mesmo com os nossos olhos marejados, sem dúvida nenhuma, a decisão mais difícil de todas foi tomada por ela!

Parabéns para a mamãe que toda véspera de provas e testes fazia as folhas de perguntas e respostas e o famoso bordão “trabalho de equipe” que tanto o estimula!

Mas acima de tudo filho,

parabéns pra você,

o mérito é seu!

Afinal, é VOCÊ quem faz as provas né!?

Que venha o ginásio!


Formatura do 5º ano. Que venha o ginásio! was originally published in Eu tenho um filho especial on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.

Qual a REAL importância se o Messi é AUTISTA ou não!?

Amigos, inaugurando os artigos em formato de vídeo, hoje eu trago como primeiro episódio, uma comentário que eu gravei hoje sobre o artigo intitulado “Como o autismo ajudou Messi a se tornar o melhor do mundo” do blog “diarioocentrodomundo.com.br” escrito pelo Roberto Amado e como eu acho que esse tipo de notícia envolvendo uma pessoa pública ser autista pode influenciar de forma prática a sociedade.


Qual a REAL importância se o Messi é AUTISTA ou não!? was originally published in Eu tenho um filho especial on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.

Pai, eu já sou “rapaz”, se lembra?

Eu e Nicolas no fliperama

Algumas vezes eu esqueço de como o tempo passa rápido,
e então você me faz lembrar em frases desconcertantes com essa.

Sei que ainda temos muito o que caminhar.
Você ainda não está 100% autônomo,
nem de longe é.

Tomar banho,
escovar os dentes,
ou pentear o cabelo
são algumas das coisas que nós ainda fazemos por você.

É claro que você já conseguiu a sua independência em outras coisas.
Almoçar,
se vestir,
e principalmente, navegar na Internet!
Ah, isso você faz como ninguém!

13 anos se passaram filho,
e você nos surpreende a cada dia!
Suas conquistas e vitórias iluminam a nossa vida!
Você é o nosso orgulho,
nossa maior riqueza!
Sua bondade e seu carisma encantam quem o ouve.

É certo que sua maturidade ainda está longe da idade que tem,
mas ela evolui
e nos cativa.

O carinho de suas palavras
abrem portas, corações
e despertam paixões.

Nossa estrada é longa meu filho,
e quando eu tento amarrar o cadarço do seu tênis
você me diz com uma voz ainda infantil:
pai, eu sou ‘rapaz’, se lembra?
E temos a certeza que estamos no caminho certo!


Pai, eu já sou “rapaz”, se lembra? was originally published in Eu tenho um filho especial on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.

Vamos falar sobre inclusão nas escolas?

Berenice Piana lutou pelos direitos dos autistas no Brasil

No dia 27 de fevereiro, aconteceu um debate bem bacana sobre crianças especiais e a dificuldade de inclusão escolar no programa Encontro com Fátima Bernardes. Quem me indicou o programa foi a amiga Rosana Leh Dias, que nos contou que a Berenice Piana seria uma das entrevistadas.

Para quem não sabe, a Berenice tem um filho de 18 anos com autismo e depois de muito batalhar pelos direitos do seu filho resolveu estudar a sério o tema e virou uma grande especialista em autismo, e de tanto sugerir ideias para um projeto que visasse melhores condições para ele e outras pessoas com a mesma dificuldade, esse projeto acabou virando uma Lei que recebeu o seu nome. Essa Lei foi sancionada pela Presidenta Dilma Roussef recentemente e garante, entre outras coisas, o direito a inclusão escolar, tema do programa da Rede Globo.

Nós ficamos muitos satisfeitos com o resultado do debate, onde vários pais de inúmeras classes sociais e com filhos em diversos tipos de deficiências, levantaram questões relevantes sobre o tema, e a importância de uma discussão mais abrangente sobre o assunto e então eu resolvi pedir a Samantha Shiraishi, do blog “A Vida como a Vida quer” para ampliarmos esse bate-papo em busca de novas formas de inclusão escolar. Ela apoiou imediatamente a ideia e me convidou para o seu Hangout periódico da sua página no Google plus.

Então para quem se interessou sobre o assunto, basta acessar o link do evento no dia 7 de março (quinta-feira) às 19:30, que ele será transmitido via Hangout On Air, ou seja, ao vivo. Todos poderão fazer perguntas via comentários do vídeo que nós debateremos no ar. Mas se você perder a conversa por causa do horário, não se preocupe, o vídeo será disponibilizado imediatamente após o encerramento do bate-papo, e poderá ser visto através do canal da Samantha no Youtube.

Então é isso pessoal, fica o convite e espero ver todos vocês lá! Abraços!

Perdeu o Hangout? Assista clicando no player abaixo, foi muito bacana!


Vamos falar sobre inclusão nas escolas? was originally published in Eu tenho um filho especial on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.

Cara psicóloga Elizabeth Monteiro, não é assim que se faz um diagnóstico né!

Nunca gostei de usar o blog para criticar seja “A”, “B” ou “C”. A ideia aqui sempre foi trazer as minhas experiências como pai de uma criança com síndrome de Asperger, contando a rotina, conquistas, dificuldades em busca de disseminar um conceito bacana sobre a convivência sadia da sociedade com as crianças dessa e outras síndromes.

Mas infelizmente hoje eu vou trazer um tema em forma de manifesto, inspirado pelo artigo da Andrea Werner Bonoli do site “Lagarta vira Pupa” (O diário de uma mãe e seu garotinho autista) sobre a infeliz participação da psicóloga Elizabeth Monteiro no Programa do Faustão no quadro “Divã do Faustão” que foi ao ar no dia 14/12/2012. Para quem não assistiu, segue o link do programa, apesar do link não parecer em nada sobre o tema desse post.

Totia Meirelles, sobre traição: 'Perdoaria. Se a pessoa ama e quer ficar…' – Domingão do Faustão

Eu não assisto o programa e fui ajudado pela amiga Patrícia Haddad que me enviou o link e me deixou completamente chocado. Não o bastasse o programa usar uma tragédia como a da escola Sandy Hook para conseguir audiência, onde 26 pessoas formam assassinadas, dentre elas, 20 crianças com idades entre 6 e 7 anos, ainda traz uma psicóloga completamente despreparada para fazer comentários frente às câmeras e ao vivo, foi realmente MUITO BOLA FORA!!!

O programa tem uma grande audiência e é fundamental que tudo que seja dito nele seja avaliado com todo o cuidado, principalmente num tema como esse. A psicóloga Elizabeth Monteiro, mesmo sabendo que não tinha condição de avaliar o caso (vide 2:08min), inicia a sua participação dizendo que o comportamento do assassino Adam Lanza é de um Asperger e não de um sociopata. Em seus desastrosos comentários, ela misturou todos os assuntos, e aliado às perguntas igualmente infelizes do apresentador, fez com que o telespectador aumentasse ainda mais a confusão sobre os temas.

Como a própria Andrea comentou em seu manifesto, as famílias que lutam para que seus filhos sejam incluídos na sociedade, nas escolas, foram muito prejudicadas por esse trabalho mal cuidado de informação e esclarecimento. Eu assino embaixo sobre o manifesto e endosso a mesma indignação que ela e de outros pais. Espero REALMENTE que a Rede Globo se manifeste sobre o caso e que faça um outro programa em formato de debate com profissionais mais qualificados para esclarecer definitivamente para a sociedade que assiste o programa a real condição de crianças portadores da Síndrome de Asperger e Autismo.

Disclaimer:
Tanto no seu site, quanto no seu perfil no Facebook, não constam o número do CRP da psicóloga. Gostaria muito de obter essa informação e fazer uma pesquisa no site da categoria.


Cara psicóloga Elizabeth Monteiro, não é assim que se faz um diagnóstico né! was originally published in Eu tenho um filho especial on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.